sábado, 24 de abril de 2010

DEPOIS EU VOLTO!!!


Charge - Clayton

Eu sou Zé de Terto Duda
Sempre vivi muito bem
Uso às vezes de esperteza
Mas só roubo de quem tem
Nunca tive a intenção
De fazer mal a ninguém.

O senhor Terto meu pai
É meu mestre, meu tutor
Afirma que cresceu dando
Bons golpes em seu favor
Me diz: – Faça como eu faço
Que serás um vencedor.

Minha mãe Rute dizia:
– Seja vivo meu rapaz
Se quiser subir na vida
Não vacile no que faz
Até porque você tem
Do pai, todos os sinais.

Por levar a vida fácil
Pouco na escola ia
Num ano, menos de um terço
Das aulas eu assistia
Colava muito e tirava
A melhor nota que havia.

Enrolava os professores
E nunca fui reprovado
Com vinte e um de idade
Já estava graduado
Mas para uma profissão
Bastante despreparado.

Por ser “filho de papai”
Precisava me formar
Para ter um bom status
E o meu perfil maquiar
Sendo bem admirado
Pelo povo do lugar.

O meu pai zombando disse:
– O “dotorzim” de seu Terto
Não aprendeu quase nada
Mas como eu , é esperto
Vou metê-lo na política
Que aí a coisa dá certo.

Dito e feito, na política
Tornei-me um campeão
Confesso que é muito raro
Perder uma eleição
Tudo isso porque sou
Muito bom para o povão.

Logo cedo aprendi
Ser político experiente
Usando minha esperteza
Dei passos largos a frente
Graças ao nepotismo
Minha equipe é competente.

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Na política encontrei
Meu ideal verdadeiro
Além dela dar-me nome
Deu-me fama de guerreiro
E grande oportunidade
De ganhar muito dinheiro.

Há sempre na minha frente
Uma estrela que brilha
Não fossem os adversários
Era tudo maravilha
Mas infelizmente eles
Perseguem nossa quadrilha.

Outro dia um assessor
Deu-me uma sacola cheia
Com dois milhões de reais
Mais cem mil em uma meia
Por essa coisa tão simples
Eu fui parar na cadeia.

Essa arbitrariedade
Deixou-me muito abatido
Porque fui injustiçado
Covardemente traído
Mesmo em cela especial
Fiquei tenso e deprimido.

Sofri por mais de dois meses
Essa infelicidade
A farsa dos inimigos
Me fez vítima da maldade
Mas graças ao meu dinheiro
Voltei a ter liberdade.

Vou recuperar-me agora
Da mágoa e do desespero
Curtir a minha família
Viajar o mundo inteiro
Quero gastar com turismo
Um décimo do meu dinheiro.

Cassaram o meu mandato
Estou de tudo afastado
Mas no tempo certo eu volto
Porque não fiz nada errado
Vejam nosso “Coramelo”
Voltou, está no senado.

E meu ícone na política
O grande Mauro Salim
Voltou e é deputado
Só porque nunca foi ruim
Comigo vai ser igual
Que o povão vai me dar sim.

Povão de memória curta
Toda vida foi assim
Essa massa me acompanha
É fiel até o fim
Então voltarei também
Quebrando a cara de quem
Morre de inveja de mim.

Autor: Zé Bezerra

Um comentário:

helena bezerra de araujo disse...

O nosso povo alienado jà engordou muitos ratos deste tipoe continuam engordando porque são muitos os lobos vestidos com pele de cordeiros.