domingo, 20 de setembro de 2020

A CARÊNCIA DO ABRAÇO









O coronavírus trouxe

Para nós limitações

Inúmeros constrangimentos

Afetando os corações

Até fomos obrigados

A ficar distanciados

Um  clima sem ter mormaço

Cada dia se apresenta

O tempo passa e aumenta

A CARÊNCIA DO ABRAÇO.


O quanto é desagradável

Estar no quotidiano

Privado desse exercício

Tônico do calor humano

Sem ao outro abraçar

Sem sua mão apertar

Sem por alguém no regaço

Nesse convívio incomum

Vai crescendo em cada um

A CARÊNCIA DO ABRAÇO.


Não tendo aproximação

E nem contato direto

Instala-se uma crise

De aconchego e afeto

Esvazia-se emoções

Ternuras e afeições

Afogam-se no fracasso

Isso nos traz mal estar

Como vamos suportar

A CARÊNCIA DO ABRAÇO.


Quanta falta a gente sente

De um abraço apertado

Essa reciprocidade

De afeto estimulado

Sem um abraço sadio

O nosso ego vazio

Fica encalhado num laço

E a solidão sufocando

Porque está aumentando

A CARÊNCIA DO ABRAÇO.


Até que esses protocolos

Possam chegarem ao fim

Iremos vivenciando 

Essa experiência ruim

As pessoas não se animam

Porque não se aproximam

Sentem tristeza e cansaço

Enquanto houver pandemia

Só aumenta a cada dia

A CARÊNCIA DO ABRAÇO.


Autor: Zé Bezerra









sábado, 19 de setembro de 2020

O QUE ENOBRECE O SER HUMANO.













Nesse tempo ultramoderno

Há muitos barcos sem proas

As relações dos humanos

Muitas vezes não são boas

Porque há muitos valores 

Que estão fora das pessoas.


Esses valores externos 

Que são bem apreciados

Encontram-se em gordas contas

Com dólares acumulados

Mansões, iates, jatinhos

Carros novos importados.


Sempre é bem valorizada 

A rica propriedade

Roupas de grife, perfeitas 

De finíssima qualidade

As joias caras usadas

Com requinte e vaidade.


Abrem-se ao que está fora

Muitas portas e janelas

Por ficarem alienadas

Pelas atrações das telas 

As pessoas desconhecem

O valor de dentro delas.


Não é esse o jeito certo

Da pessoa comportar-se

Sem essa alienação

É possível ela encontrar-se

Consigo e abrir os olhos

Para então valorizar-se.


Aí é quando percebe

Na vida outra diretriz

Achando dentro de si

A essência que condiz:

Valores essenciais

Que a faz viver feliz.


Valores como o respeito

A paz, a fraternidade

O diálogo, a partilha

A justiça, a liberdade

O amor, a empatia

A fé, o bem, a verdade.


Esses todos e mais outros

São importantes demais

Porque estão muito acima 

Dos mais altos cabedais

Não devendo ser trocados

Pelos bens materiais.


Cultivar esses valores

É esse o mais certo plano

Pois o materialismo

Atrai inveja e engano

Seja a mensagem entendida

É a grandeza da vida

Que enobrece o ser humano.


Autor: Zé Bezerra

sábado, 12 de setembro de 2020

QUEBRAR O MURO









Escola centralizada 

Sem sintonizar as redes

Com o estilo de ilha

Fechada em quatro paredes

Ao continuar assim

Seu desempenho é ruim

Tudo isso é resultado

De um trabalho obscuro

A escola tem um muro

Que precisa ser quebrado.


É muita incoerência 

De uma escola hoje em dia

Que continua existindo

Alheia à democracia

Fora da realidade

Fechada à comunidade

Em seu modelo atrasado

Esquisito e inseguro

A escola tem um muro

Que precisa ser quebrado.


Ensino só não avança

Nesse contexto atual

Em escola que mantém 

Prática tradicional

Se não busca inovação

Vai sempre na contramão

Seu horizonte é fechado

Por um nevoeiro escuro

A escola tem um muro

Que precisa ser quebrado.


A escola tem que ser 

Aberta e interativa

Escola é feita com gente

Por isso tem que estar viva

Com gestores e discentes

Coordenadores, docentes

Da família estando ao lado

Tendo o foco no futuro

A escola tem um muro

Que precisa ser quebrado.


Autor: Zé Bezerra


 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

A BANDEIRA MAIOR DA CANTORIA



Atingiu o final da trajetória 
Mais um vate de estro imensurável 
Foi-se o Pedro Bandeira inigualável  
Resta agora guardá-lo na memória 
Fica eternizada a grande história 
Deste ser laureado de poesia 
Vinte e quatro de agosto foi o dia
Que findou-se esse aedo reluzente 
Não tremula no mastro do repente 
A bandeira maior da cantoria. 

Com oitenta e dois anos de idade 
Morre o célebre neto de Galdino 
Genial repentista nordestino 
Da poética tornou-se majestade 
Imbatível na versatilidade 
E improvisação com maestria 
Foi eleito o príncipe da poesia 
Se agora não é mais ser vivente 
Não tremula no mastro do repente 
A bandeira maior da cantoria. 

Foi político, escritor, advogado 
Mas além disso tudo um repentista
Talentoso e exímio cordelista
Por inúmeras plateias, aclamado
Era ele um homem tão dotado
De virtudes e de sabedoria
Mas aqui deixou tudo que fazia
Para estar numa esfera diferente
Não tremula no mastro do repente
A bandeira maior da cantoria.

De espírito telúrico deslumbrante
Destacou-se na sua profissão
Com exponencial inspiração
Emanada de verve abundante
Pelo seu ativismo itinerante
Tendo sempre a viola em companhia
Sua simplicidade reluzia
O seu porte artístico era ascendente
Não tremula no mastro do repente
A bandeira maior da cantoria.

Autor: Zé Bezerra

domingo, 23 de agosto de 2020

EDUCAÇÃO NÃO É PRIORIDADE

 Educação no Brasil

Desde o seu descobrimento

Prioridade pra ela 

Não houve em nenhum momento

Se nunca teve sucesso 

Por causa disso o progresso

Do país é pouco e lento.


Há mais de quinhentos anos

Que existe essa nação

Nunca os seus governantes

Quiseram dar atenção

Num país continental

Ao básico, ao fundamental

Que é a educação.


Por toda a desatenção

Que a ela tem sido dada

Sempre numa marcha lenta

É a sua caminhada

Cada vez se atrofia

E agora a pandemia

Deixou-a paralisada.


Tornou-se mais decadente

Devido a pandemia

Agora as aulas remotas

Em poucas doses por dia

Não apresentam vantagem

E para a aprendizagem

Não demonstram garantia.


E a tecnologia 

Pra muitos não vai nos trilhos

Se a internet falha

Aumentam os empecilhos

Tem pais de cabeça tonta

Por não poderem dar conta

De ensinarem seus filhos.


Os estudantes maiores

Que não têm " Meet" e nem "Zoom" (zum)

Se há os que se esforçam

Nesse contexto incomum

Pra muitos é coisa chata

Porque ser autodidata

Não é para qualquer um.


Isso na escola pública

Acentua-se bem mais 

Se o ensino era fraco

Agora está bem atrás

E se tende a piorar

Vai cada vez aumentar

Os desníveis sociais.


Redes privadas de ensino

Buscam mais eficiência

Equipam bem as escolas

Neste tempo de emergência

A rede pública é sem nada

Por ser tão fragilizada

Chega a extrema falência.


Vê-se que infelizmente

É esta a realidade

Da educação que temos

Desde a antiguidade

Bom crescimento não tem

É assim porque ninguém

Não lhe dá prioridade.


Autor: Zé Bezerra